Mostrando postagens com marcador Continuando na senda da música.... Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Continuando na senda da música.... Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de maio de 2009

Cantigas de Maio

Eu fui ver a minha amada

Lá p'rós baixos dum jardim

Dei-lhe uma rosa encarnada

Para se lembrar de mim


Eu fui ver o meu benzinho

Lá p'rós lados dum passal

Dei-lhe o meu lenço de linho

Que é do mais fino bragal


Eu fui ver uma donzela

Numa barquinha a dormir

Dei-lhe uma colcha de seda

Para nela se cobrir


Eu fui ver uma solteira

Numa salinha a fiar

Dei-lhe uma rosa vermelha

Para de mim se escantar


Eu fui ver a minha amada

Lá nos campos eu fui ver

Dei-lhe uma rosa encarnada

Para de mim se prender


Verdes prados, verdes campos

Onde está minha paixão

As andorinhas não param

Umas voltam outras não


Minha mãe quando eu morrer

Ai chore por quem muito amargou

Para então dizer ao mundo

Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou


Zeca Afonso


(MafaldaVillani)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Vi hoje o meu primeiro Jacarandá em flor desta Primavera...!

Flor do jacarandá
Cai, leve no passeio
Céu d´outro mar sonhado
Chão de anilado estio.
A florir, lá no mês de sonho tapete de voar
Nas luas de zefiro
Estrada de santiago
Manda a...
chuva de estrelinha, azul pavão
Brilha na noite
Vou de namorada, mão na mão
Perdi a escada para o céu
Dos pardalinhos
Na ilusão da boa fada
Toco na varinha de condão
Durmo na rua onde a...

Vitorino

(Mafalda Villani)

terça-feira, 31 de março de 2009

Fado Português

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

José Régio (musicado por Alain Oulman, cantado por Amália)

(Mafalda Villani)